15 março, 2010

é simples...


Gostas de mim?


É porque, sabes... eu gosto de ti.

11 março, 2010

Aqui


Aqui posso ser mentira e posso ser verdade.

Aqui, posso moldar o que é e o que não é, brincar de Deus, sorrir, chorar, mascarar-me ou romper o coração.

Aqui, posso amar às escondidas, desejar, inventar, sonhar os outros.

Posso saborear...

Ou posso simplesmente calar as minhas entranhas, vigiando-me as arestas que ameaçam desabar. Porque o Mundo não mas sustentaria, não.

Aqui... vive a minha fantasia.

Alimenta-ma. Sim? Aos molhos de cor. Vermelha, rubra de desejo.

05 março, 2010

entre sombras palpáveis e outras que não


Há vezes em que a distância parece apenas poeira nas nossas mãos.

Há dias em que o coração se engana pensando que pulsa do outro lado da estrada, da ribeira, da Terra, do Mundo.

Há momentos em que as palavras são bebidas com uma voracidade atroz, e nos engolem na ilusão de que nos são (só a nós) oferecidas.

Há alturas em que é preciso fazer da distância mentirosa uma distância real, e voltar a assentar os pés neste chão, e perceber que o que se quer nem sempre é.


Mas estou aqui. De novo.
Devagar.

26 novembro, 2009

Carta a uma "celebridade" desconhecida


Quero estar aqui, neste canto de mim, de onde te olho de longe.

A ti que apenas adivinho os contornos, e saboreio os teus pedaços públicos, como tantos outros o fazem... deleitar-se-ão, tal como eu, tentando adivinhar-se nas palavras que de ti se soltam, nos gestos que deixas no ar, como traços de leve perfume?

Quero-te.

Pois, quero-te.

Não sei se lhe chame desejo primário, fantasia talvez, solidão de uma noite sem estrelas, o corpo quente nos lençóis de linho branco, os dedos percorrendo a pele sem encontrar descanso no prazer fictício e fugaz da intimidade a sós...

Dar-me-ia a ti se te tivesse no espaço entre o corpo e uma parede? O arfar do peito em crescendo, a língua em espera, degustando os lábios vermelhos, olhar fixo prendendo-te no amplexo desejado, sem te tocar, as mãos a adivinhar-te os contornos, os músculos por debaixo das vestes com que te cobres do Mundo... atrever-me-ia eu a quebrar as regras, a saltar no vazio, a sugar-te em mim? E tu, querer-me-ias assim, com as histórias que me sulcam o rosto e as curvas com que o tempo me marcou?

Paga-se o preço da dádiva com que moeda estrangeira?

Com que língua me falas tu? Louca que estou, pensando que é a mim que entrelaças em pontos finais, vírgulas e consoantes. Louca de pedra e cal, ancorada a esta história inventada.


Deixo-me estar, neste canto de mim.

Sabe bem entregar-me em pensamento, sem juízos nem juízes.

Só a ti permitiria que me condenasses a uma fogueira conjunta.

A parede fria, o corpo quente. A distância de um beijo, aquele que tudo muda.