12 agosto, 2009

texto ao que já foi


à medida que vou abrindo portas dentro de mim, descubro mundos passados.

cheios de pó, alguns.

outros atravancados de móveis antigos, de uma beleza que em tempos brilhou nos meus salões de baile mas que agora jaze abandonada e fria.

outros ainda despidos de vida, vazios, à espera que eu os resgate da morte lenta...


à medida que vou destapando os baús, sacudindo as mantas, escancarando janelas, afasto o pó, abro-me à luz que me invade...

quero sentir a vida a comer-me as veias, expulsando os fantasmas do passado que insistem em morar-me no corpo.

corpo que desejo limpo, salubre, livre, liberto, de pele doce e mascavada.

alma que quero que caminhe de cabeça erguida e olhos meigos.

castanhos com verde, mel e mar. luz e sombra.


permitam-me que vos diga, seres que me habitam: amo-vos, por quem são, pela nossa história, por ser quem sou e pelo trajecto que vós, e mais ninguém, pela vossa presença, me fizeram traçar, rasto de nuvem no céu da noite.

deixem-me que vos cante, seres que ainda me irão possuir: amo-vos, pelo pedaço de universo que chamaremos nosso, seja de que forma for.

e deixem que vos encante, nódoas negras no peito: vamos fazer as pazes?

2 comentários:

LBJ disse...

Não faças as pazes com o passado, usa-o para um melhor futuro.

Beijo

luz disse...

É preciso fazer as pazes, para que o futuro possa aparecer na esquina :)

Beijo de volta