
És um beijo trocado à pressa, como se fosse pecado.
És a recordação de uma noite no meu corpo mal amassado, que perdeu o rasto do teu perfume na pele.
És o vento que de quando em quando me sopra nos cabelos, a mão que me procura a perna, para logo em seguida me negar a marca. A tatuagem que te deixei.
És o sorriso e o riso alto que me enche de colcheias o peito, és as gotas de água que me sulcam as noites mal dormidas, de sonhos e desejos polvilhadas.
Tu és as palavras que me morrem na garganta, traços inteiros engolidos à pressa, na impaciência de tentar fingir que não me és nada. És, afinal, o meu fingir, a minha mentira maior. A minha camuflagem de mim mesma.
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