22 junho, 2009
wood
19 junho, 2009
jogo de bola
O menino brincava no pátio com a bola amarela, redonda como o Sol.
Treinava o pontapé certeiro com os ténis rotos de tanto uso que a mãe lhe havia comprado num Natal distante, num Natal do qual já não recordava a luz, nem o sabor e muito menos a data, nem em tal pensava enquanto, pacientemente e com força, rematava. Num vai e vém, num vai e vém.
Um assobio saído do nada desperta-o do chuto ritmado da bola.
Uma menina de calção curto, olhar desafiante e cabelo da cor das cenouras que a mãe o obrigava a comer, dizendo que lhe adoçaria o olhar (mas ele sabia que era porque não havia mais nada), estava parada junto ao portão do páteo, como que pedindo (exigindo! a julgar pela postura corajosa...) atenção.
Teria sido ela quem assobiara?
"As meninas não assobiam, é feio."
Um sorriso rasgado iluminou a face de Clara, cujo coração batia apressado do medo da rejeição.
Correndo com a bola nos pés, começaram assim a sua partilha cúmplice.
15 junho, 2009
banho de luz

13 junho, 2009
com palavras me feres, mas não me matas
Podes encher-me com essas palavras de pontas afiadas, atiradas ao descaso, como quem nem se dá ao trabalho de pensar.
Podes engrandecer essa tua alma enraivecida com o saber inato de que me ferem esses teus arabescos vermelho-sangue desvairados no papel.
Podes gritar pelo Mundo fora (sim, tonto que é em acreditar-te, se ao menos te vissem sem os véus de fumo em que te envolves, para que te desejem de longe, intocável que és, simulação do perfeito, do grande, do belo!) que traidora insatisfeita sou, podes gritar até enrouquecer a voz ou não haver ninguém mais que te escute.
Podes pintar-me com essas cores enganadas, contornos difusos, mentirosos, fingidos.
Podes tentar mil vezes provocar-me a ira, a mágoa, a raiva, para que as palavras me saltem da boca e se dirijam a ti, para que me vejas mover na tua direcção, para que me sintas viva.
Podes fazer tudo isto e muito mais.
Mas eu estarei no silêncio, à espera da maré calma. Eu estarei no cantar do vento, no trigo que se dobra e não quebra.
E saberei que tudo isto é apenas o teu vazio que me chama. E não irei.
09 junho, 2009
not yet

08 junho, 2009
06 junho, 2009
burnt

05 junho, 2009
de amor e de sonho

04 junho, 2009
grito de Ipiranga! (do fingir e outras mentiras que tais)

03 junho, 2009
o pesadelo

02 junho, 2009
o primeiro dia
01 junho, 2009
contador de histórias fingidas
