05 junho, 2009

de amor e de sonho


"É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz."
Miguel Esteves Cardoso, in Expresso.


Não entendo. Chamem-me burra.

Mas não consigo conceber o amor sem se entregar, sem ter esperança, sem tentar, sem experimentar, aquele amor que é só suspiros e versos e que se fica por aí, com medo dos passos que o encaminham para o mundo real (talvez porque se desfizesse no primeiro embate...).

Amar é lutar.
Não é, de forma alguma, viver sozinho e triste, acompanhado de uma colecção de amores impossíveis. Desculpem, mas deve ser demasiado pesado (para a alma, o corpo e o coração, embriagado de dor, de solidão).

Princesas em cima de torres suspirando por amados que, embora versejando para elas, têm medo de subir as escadas, e que não conseguem descer porque temem partir os sapatinhos de cristal não fazem, definitivamente, o meu estilo.

"A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso, in Expresso


Eu acredito num mundo de amor.

Acredito no desejo do toque, acredito na entrega do olhar que não fala, mudo de espanto que está, acredito no beijo certo, no namoro do corpo e da alma, acredito nas cartas de amor (ridículas ou não), acredito nas promessas, nos desencantos, nos encantos.

Acredito na vida vivida em amor. Com amor.

Mas no amor real.
Não no que mora apenas nos sonhos, aprisionado numa jaula sem janela feitas dos nossos medos.

3 comentários:

Princesa (des)Encantada disse...

Este post segue a linha do anterior e eu repito-me: o pior de tudo é ser obrigada a "desperdiçar" o Amor que se tem, porque não tem eco do outro lado.
Às vezes as Princesas não têm medo de caír, e estatelam-se porque se lançam e o amado não está lá para as agarrar. Às vezes os suspirantes
pretendentes galgam escadas bravamente e encontram apenas uma torre vazia. Uns e outros sofrem, cada um à sua maneira. E quem sabe realmente o que é amar, sabe que não se comanda a morte do amor, e enquanto não se vai de nós, e nos atormenta na ausência da correspondência que nos é negada, vive-se no sonho e na poesia, a lutar apenas por sobreviver à tormenta.
Se os dois se amam e não se procuram por medo, então isso sim é estupidez e não é, seguramente, amor.

Luz disse...

Medo, convenção social, terror, sei lá, chama-lhe o que quiseres, mas é certamente um desperdício porque, tal como muito bem dizes, há demasiados amores não correspondidos por este mundo fora...
Se somos correspondidos e não nos lançamos, quase que lhe chamaria... pecado!

Obrigado pelos teus comentários :)

Princesa (des)Encantada disse...

Nem mais - "pecado"... :)