13 junho, 2009

com palavras me feres, mas não me matas

Podes encher-me com essas palavras de pontas afiadas, atiradas ao descaso, como quem nem se dá ao trabalho de pensar.

Podes engrandecer essa tua alma enraivecida com o saber inato de que me ferem esses teus arabescos vermelho-sangue desvairados no papel.

Podes gritar pelo Mundo fora (sim, tonto que é em acreditar-te, se ao menos te vissem sem os véus de fumo em que te envolves, para que te desejem de longe, intocável que és, simulação do perfeito, do grande, do belo!) que traidora insatisfeita sou, podes gritar até enrouquecer a voz ou não haver ninguém mais que te escute.

Podes pintar-me com essas cores enganadas, contornos difusos, mentirosos, fingidos.

Podes tentar mil vezes provocar-me a ira, a mágoa, a raiva, para que as palavras me saltem da boca e se dirijam a ti, para que me vejas mover na tua direcção, para que me sintas viva.

Podes fazer tudo isto e muito mais.

Mas eu estarei no silêncio, à espera da maré calma. Eu estarei no cantar do vento, no trigo que se dobra e não quebra.

E saberei que tudo isto é apenas o teu vazio que me chama. E não irei.

3 comentários:

LBJ disse...

Às vezes as palavras saem como armas arremessadas com o intuito de ferir mas em fracas e ocas se transformam quando rechaçadas pelo escudo da indiferença. :)

Icon disse...

eh pah, bonito!!
gostei muito

Luz disse...

Eu estou a tentar isso mesmo, LBJ :)

Icon, obrigada!