04 junho, 2009

grito de Ipiranga! (do fingir e outras mentiras que tais)


Este é um grito de Ipiranga! E, como todos os gritos que se prezem, assusta, pelo seu volume.

Irrita-me a hipocrisia de quem escreve, de quem fala, de quem enche o peito para falar de amor, quando o seu amor, quando se abrem as mãos, não é mais que o vento que as enche.

Irrita-me o professar de um credo sem esperança, a tenda erguida como bandeira hasteada em orgulho, no mundo do sonho profundo, do inexistente, do invisível, do vazio, do medo, quando nem sequer se ousa ter a coragem de se desejar, de se lutar.

Irrita-me que se fale de amor como se a palavra, por si mesma, não encerrasse em si a maior das sensações (a-mor, a maior) e por isso mesmo não merecesse ser desperdiçada assim no vento, na espuma, no ar, sem se agarrar, sem se viver, sem se tentar ter.

Não entendo, confesso, estes amores que mais não são que romances de cordel que nunca acontecem... simplesmente porque os protagonistas não têm coragem para os viver! Amam-se tanto, para quê? Para, podendo estar juntos, escolher a vida separados? Mas que desperdício de sentimento, quando há gente que morre à míngua, sem os ter...

E o que mais me irrita, confesso, de alma aberta, são os tolos que acreditam nas palavras fingidas, mentirosas, mascaradas, nas palavras que parecem belas, puras e ingénuas, doridas, sofridas, mas mais não são que cobardias escritas num papel de écrãn!


Até Romeu e Julieta ousaram.... quem sois vós para rotular de impossível o que está ao alcance da mão?

5 comentários:

LBJ disse...

Olha, vou repetir-me, gosto mesmo da forma como escreves, se leste algum dos meus textos, consegues perceber facilmente o efeito reflectivo que sinto quando te leio.

O teu texto é tão forte e tão dirigido que se torna difícil de comentar sem o difundir, por isso deixo o meu silêncio respeitoso.


PS: Desativa a verificação de palavras, não serve para nada e perdes comentadores

Luz disse...

LBJ, algumas repetições valem a pena :)
Obrigado pelo teu comentário; eu já passei no teu blog, por isso percebo a que te referes. Gosto muito da tua forma de escrita, mesmo.

P.S - Já segui a tua sugestão :)

Princesa (des)Encantada disse...

Sabes Luz, o pior de tudo é ser obrigada a "desperdiçar" o Amor que se tem, porque não tem eco do outro lado. O que mais me irrita é haver quem seja realmente capaz de amar, que o faça com uma força explosiva, e esse amor se perca no vácuo de alguém que não sabe o que isso é. Quem sofre assim não é cobarde. Pelo contrário. É precisa muita coragem e muita força para sobreviver a um amor não correspondido.

Luz disse...

É verdade, Principessa mia...
mas eu refiro-me a amores correspondidos e não vividos porque atilhados pelo medo.

esses de que falas também os conheço bem (demais!); isso é força, sim! e tu tem-la em ti, estou certa!

Ana GG disse...

Desperdiçar aquele que ambos sabem ser o AMOR, o tal. Seja por que razão for (e podem ser tantas)...é horrível, é doloroso, é injusto, é fod***!
Sei do que falas.
Sei do que falo.
;)