09 junho, 2009

not yet


Começa-se a acreditar, devagarinho.

Como uma ave a ensaiar um primeiro e tímido vôo, à beira do ninho, tremendo de medo da imensidão do mundo em seu redor.

Mesmo que o coração, já antes enganado do mesmo engano, tenha erguido alto as estacas que o protegem, mesmo assim, o desejo encontra maneira de entrar livre, desfeito em vento, por entre as grades. Insinuante, começa a inebriar.

E começa-se a acreditar.

E a ideia começa a ganhar forma, e cor, e carinho no nosso peito, e já se dá por nós a embalar a esperança de noite na almofada, meio que às escondidas da nossa razão.


Mas depois chegam os dedos frios da desilusão, apertando a garganta.

E da alma faz-se bola, porque não se pode mostrar.

Não foi nada, não foi nada.

Tudo passa, tudo voa.


Tudo voa.

6 comentários:

Joana disse...

É melhor arriscar e cair, do que ficar toda a vida sem saber que podemos voar.

Intruso disse...

tudo aterra...

raquel disse...

tudo voa...tudo...até o que tem o peso de mil anos

Danielle Freitas disse...

E o q é a desilusão pra nos assustar?!
Voar, acreditar...
Somos capazes...
Somos feitos de luz é só permitir.

Até mais!

LBJ disse...

Poucas são as aves que falham, quando acreditam no poder das suas asas :)

Luz disse...

Aliás, a vida só é vivida a sério se tentarmos voar, não é? ;)