02 junho, 2009

o primeiro dia

Hoje não vou falar de ti. Não, não vou.
Hoje não vais ocupar este bocadinho de mim, hoje vou-te pôr no canto. De castigo.
Hoje vou abrir a porta e sair sem olhar para trás. E vou olhar-me no espelho e não vou ver a tua alma reflectida.
Não, hoje vou deixar a luz fluir, vou deixá-la atravessar-me o corpo e beijar-me as células.
Hoje não terei o teu nome no peito nem o teu beijo na boca inventada.
Hoje serei só eu, sem o teu peso. Sem as tuas correntes, sem os teus medos, sem a tua incómoda e fingida dor. Porque é fingida a dor que mostramos aos outros como triste mas, cá dentro, embalamos nos braços com ternura.
Hoje, é o dia 1.
O primeiro de todos em que me libertarei, aos poucos, de ti.
Que o Universo me escute e fotaleça!
Uma amiga perguntou-me "como está o teu coração?". Ontem, cheio de raiva e dor. Hoje, com vontade de sarar.

7 comentários:

Princesa (des)Encantada disse...

Como entendo estas palavras. São salgadas para mim. Ecoam umas muito semelhantes que escrevi recentemente.
Gostei muito de te descobrir e irei passando aqui.

Luz disse...

Tb adorei o teu Reino, andarei no seu trilho...

Lita disse...

Muito belo o teu texto. É bom quando finalmente encontramos forças para nós. :)

Luz disse...

Obrigada pela visita, Lita, e pelas palavras :)

Cry me a River disse...

Adorei o brilho do teu espaço.
voltarei para sentir os teus contrastes, luz e sombra.

LBJ disse...

Gosto da forma como escreves, como deixas as palavras fluirem do sentimento, às vezes encontramos reflexos em espelhos inesperados.

Luz disse...

Cry me a River, volta sempre que te apetecer!

LBJ, dei uma espreitadela ao teu outro (o primeiro) canto, gostei imenso do que lá li. Fiz-me seguidora.